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Estou numa fase meio afro.

Não, não significa que eu tenha feito virado rastafári ou tenha tomado mais bronze do que o Ministério da Saúde adverte.

Significa que eu descobri os contos mitológicos afro-brasileiros e o Afro Celt Sound System.

E tudo começou com Os Filhos de Anansi, do Neil Gaiman...

 

Minto. Começou com uma surtada master de stress supremo, quando senti que havia perdido mais 30 mil neurônios varando mais uma madrugada trampando e odiando trampar de madrugada... Mesmo que fosse em um título que, atualmente, está entre os meus favoritos dentre todos os que li nos últimos 5 anos.

(Como ninguém tem obrigação de saber minhas preferências e como gosto de citar minhas referências, refiro-me a Bleach, de Tite Kubo.)

Daí, eis que naquela mesma semana da madrugada em claro, em que eu estava com um mau-humor supremo e encrencando com tudo o que minhas colegas de trabalho (que normalmente já me deixam enlouquecida, mas que naquela semana estavam perigosamente próximas de meu instinto assassino) faziam, falavam ou pensavam (pobres criaturas... não merecem minha companhia... ninguém merece!)... Eis que naquela mesma semana eu leio um freetalk de uma autora que admiro muito, de outro mangá que gosto bastante (Kare Kano, de Masami Tsuda) falando que pegou uma conjuntivite e que teve que ficar duas semanas sem ler nenhum livro... 

Aquilo ficou martelando na minha cabeça... Incrível como a gente consegue ser burro quando não deve, né? Pois eis que aquelas palavras ficaram martelando, martelando... até me cair a ficha de que eu também estava infeliz. MUITO INFELIZ. Mas, como não podia parar, porque se eu parasse ia pensar e se pensasse ia chorar... Porque a meta do ano ainda não havia sido cumprida, porque eu prometi a mim mesma que ia morrer tentando cumpri-la, se fosse necessário...

Realmente, é incrível como a gente consegue ser burro quando não deve.

Caiu a ficha mais óbvia do universo para todo mundo, mas que para mim precisou juntar dores nas costas crônicas, e mais meia dúzia de sintomas de stress, inclusive impaciência e intolerância com quem eu mesma convidei pessoalmente para ficar por perto (mesmo já ciente de que eram pessoas cuja convivência representaria desafios para mim...); para eu entender que precisava cuidar de mim mesma, justamente para conseguir cumprir a meta que havia definido.

Claro que não joguei tudo pro alto e não fui pra praia. Bem que gostaria, mas não rolou. Não deu sequer para ir ao médico. Mas que seja. Tratei de cuidar do que, para mim, parecia ser o mais emergencial: meu cérebro fundido (leia-se fodido, se quiser).

 

Peguei um daqueles livros que comprei há meses e que estava pegando poeira na estante (assim como 99% dos livros que comprei nos últimos 3 anos e que não deu para ler por causa do trabalho...) e, por acaso, era Os Filhos de Anansi.

 

É um livro divertido, despretensioso e bem construído, com várias coincidências que você quase diz que foi malandrice do Neil Gaiman, mas, ainda assim, uma diversão que eu estava realmente precisando. E há um personagem em especial, a propósito, o próprio Anansi do título, que é muito interessante. Tinha um quê nele que misturava o Saci-Pererê com o Tio Barnabé, acreditem se quiser... Eu não sabia dizer o que havia de familiar nele, uma vez que não tive muito acesso consciente ao universo afro descendente, então resolvi olhar este universo um pouco mais de perto...

 

Fui na feira da USP (aquela com os mega-descontos) e comprei váááárias coisas, inclusive dois livros de contos afro descendentes.

Caroço de Dendê - A sabedoria dos terreiros. Como ialorixás e babalorixás passam conhecimentos a seus filhos, de Mãe Beata de Yemonjá

 

E

Lendas de Exu, de Adilson Martins.

 

Caras... são muito legais!!! Aquele Saci-Pererê fantasiado de Tio Barnabé (o Anansi) parece ser, na verdade, o próprio Exu (a entidade africana, não o demo. São coisas diferentes, para quem não sabe.), pregador de peças, malandro, esperto, bem-humorado, justo em sua interpretação bem particular de justiça...

 

E, para embalar essa leitura, tem sido muuuito interessante ouvir Afro Celt Sound System.

Eis um site de fãs para maiores informações (http://www.afrocelts.org/).

 

Os caras são excelentes músicos, convidam outros músicos excelentes para interpreta-las, inclusive Sidnea O’Connor, Peter Gabriel e Robert Plant, misturam principalmente a percussão africana, o meu adorado folk irlandês e suas rabecas, flautas e gaitas de fole, e a harmonia hipnotizante dos sintetizadores... Caraca, uma mistureba fantástica!!! Muito raiz, mas também extremamente moderna e global... essa é a trilha sonora da aldeia global, se é que um dia isso vai existir de verdade.

 

Ok, chega de falatório. Vamos para os links do youtube, que é o lugar mais fácil e menos contraventor para se divulgar as coisas.

 

Esta é cantada em dois idiomas que eu não sei realmente quais são... Eu chuto irlandês e... sei lá, um dialeto da África. Mas o que importa, mesmo, é que a música é linda (o bom é que na legenda em inglês fala um pouco da banda e de seus integrantes.

http://www.youtube.com/watch?v=XrJW33JkVlM&feature=related

 

Essa é bem romântica, e tem imagens que parecem ser da África.

http://www.youtube.com/watch?v=1dmh1cZQuXk

 

Essa é aquela com a Sidnea O’Connor, do segundo álbum

http://www.youtube.com/watch?v=IeNU600stLA

 

Essa é com o Peter Gabriel, do terceiro álbum e a minha preferida dentre as quatro.

http://www.youtube.com/watch?v=em7bk_McVHU



Escrito por Elza Keiko às 01h30
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